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O Transtorno de Personalidade (TP) é frequentemente mal compreendido. Não se trata de uma ‘doença’ que se manifesta ocasionalmente, mas sim de um padrão persistente e inflexível de experienciar e se relacionar com o mundo. 

O TP, conforme o critério clínico do DSM, consiste em traços de personalidade inflexíveis e prejudiciais que causam sofrimento intenso ou dificultam gravemente o trabalho e as relações pessoais. Esse padrão difere muito do que é esperado pela cultura e compromete o modo como o indivíduo pensa (cognição), sente (afetividade), se relaciona e controla seus impulsos.

Na visão de Gianni Francesetti, pense no Transtorno de Personalidade (TP) como um “piloto automático” rígido que a pessoa criou para se proteger no passado. Basicamente:

  • Ele era uma solução inteligente para uma situação difícil que a pessoa viveu.
  • Hoje, esse piloto automático está travado e não funciona mais, causando problemas.
  • Como a pessoa o vê como parte de si, ela só procura ajuda quando a vida fica insuportável por causa de sintomas ou quando seus relacionamentos fracassam.

Sintomas comuns:  rigidez central do TP se manifesta em padrões problemáticos, como:

  • Relacionamentos instáveis, tempestuosos, ou excessivamente distantes.
  • Sentimentos de vazio, instabilidade 
  • Desregulação Emocional como explosões de raiva ou ansiedade significativa.
  • Ações tomadas sem considerar as consequências de risco

O tratamento dos TPs:  é um processo longo e multifacetado, com foco na mudança interna:

  1. A Base é Psicossocial: A terapia psicossocial é a base do tratamento. O objetivo é melhorar o funcionamento e desenvolver habilidades para regular emoções e lidar com o estresse.
  2. Medicamento: Pode ajudar a controlar sintomas específicos ansiedade significativa, explosões de raiva e depressão) somente em casos selecionados. Mas não é o tratamento primário para o TP.

 Reflexão Final

Entender o TP é aceitar sua complexidade: é um padrão rígido (DSM) que, paradoxalmente, clama por uma transformação relacional (Francesetti).

É crucial ter paciência o  processo terapêutico é uma “nova viagem, nunca resumida em um rótulo, sempre a se reinventar”.